Demissões de jornalistas experientes para pagar salários menores a substitutos(as). Corte de vale-refeição sem aviso prévio. Mudança no plano de saúde para impor “coparticipação”. Aumento da jornada e redução de folgas. Estagiários(as) obrigados(as) a trabalhar 8 horas diárias no sábado e domingo. Reajuste salarial miserável. “ESG” só existe no marketing das empresas da família Santini.
Por Solange Santana
Em agosto de 2018, sob o governo Temer, o Grupo Tribuna demitiu profissionais da categoria valendo-se da famigerada “reforma trabalhista”, que entrou em vigor em novembro do ano anterior e favoreceu a precarização das relações de trabalho. À época, o SJSP denunciou que a empresa demitia jornalistas e contratava, para a mesma atividade, profissionais aos quais pagava remuneração inferior.
Em 2020, o grupo aproveitou-se da pandemia de Covid-19 para demitir, mesmo depois de haver reduzido salários com base na Medida Provisória (MP) 936/2020, editada pelo governo Bolsonaro. Em maio daquele ano, por exemplo, três jornalistas da casa perderam seus empregos. E em maio de 2021 o Grupo Tribuna voltaria a demitir jornalistas, em pleno Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. No mês seguinte, no Dia da Imprensa, dispensaria mais três profissionais com larga experiência e tempo de casa.
Voltemos a março de 2020. Antes mesmo de o governo federal decretar estado de calamidade pública no Brasil em decorrência da pandemia, o SJSP tomou iniciativas para proteger a categoria da Covid-19, e enviou às empresas uma lista de recomendações de medidas enérgicas para garantir às redações um ambiente laboral saudável, incluindo a formação de comitês de prevenção do coronavírus nos locais de trabalho, a serem compostos por gestores indicados pelas empresas, por jornalistas e pelo Sindicato.
Logo no início desse período, uma jornalista do setor impresso do Grupo Tribuna recebeu resultado positivo para o coronavírus num teste realizado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Imediatamente o SJSP procurou apurar a situação e questionou a empresa sobre quais as medidas tomadas quanto àqueles que tiveram contato com a pessoa infectada.
O Grupo Tribuna também foi cobrado sobre as recomendações de medidas enviadas pelo Sindicato. Dias depois, a Supervisão de Recursos Humanos (RH) respondeu que o grupo estava “tomando as medidas” necessárias à prevenção do coronavírus e contra sua propagação; que as sugestões enviadas pelo Sindicato haviam sido aplicadas na empresa; e que, a partir de 20 de março, havia adotado o sistema de trabalho em casa, ou home office, para parte da equipe. Quanto ao comitê de prevenção do coronavírus, o RH do Grupo Tribuna foi taxativo: “As ações contra a pandemia estão sendo planejadas e monitoradas pela empresa e não teremos comitê para discussão desse assunto”; “Todos os colaboradores que tiveram contato imediato [com quem contraiu a Covid-19] foram contatados e estão todos bem, sem apresentar qualquer sintoma”; “A regra geral para a empresa é de que o colaborador que apresentar quaisquer sintomas relacionados ao vírus deve ficar imediatamente em isolamento”.
Mas a tal “regra geral” era insuficiente para assegurar à equipe de jornalistas condições seguras de trabalho. O Boletim Epidemiológico da Secretaria de Vigilância do Ministério da Saúde considerava contato imediato, por exemplo, aquele entre uma pessoa que esteve por 15 minutos ou mais num ambiente fechado (como uma sala de redação) e alguém infectado, a uma distância inferior a 2 metros.
As empresas da família Santini não garantiram a testagem para Covid-19 das pessoas que tiveram contato com a jornalista infectada, muito menos as colocaram em quarentena. Ao contrário, permitiram que os jornalistas trabalhassem em home office tardiamente e ainda deixaram pessoas atuando nas redações do grupo.
SJSP denunciou ao MPT retirada dos vales, e grupo precisou recuar
No mesmo mês de março de 2020, o Grupo Tribuna suspendeu os vales-alimentação e vales-refeição de dezenas de jornalistas, descumprindo a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), e ainda deixou para comunicar a retirada somente no período do pagamento do benefício, que é no final do mês.
A suspensão afetou todo o pessoal que estava em home office em decorrência da quarentena contra o coronavírus. Os jornalistas mantinham a qualidade da produção em suas casas, às custas de seus próprios equipamentos, Internet, celular, telefone e energia elétrica.
O grupo empresarial alegou que se tratava apenas de atraso no fornecimento dos vales, o que era uma clamorosa inverdade. Os funcionários que deixavam de receber vale-alimentação tiveram que destinar mais dinheiro e tempo para se alimentar!

ALÉM DE RECUSAR ACT, TRIBUNA CONCEDE REAJUSTE PÍFIO
Houve uma árdua batalha do Sindicato pelo fechamento da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) do segmento de jornais e revistas do interior e litoral, que começou em abril de 2022 e só se encerrou em agosto de 2024.
Nesse período, os jornalistas do jornal A Tribuna, como os de outras empresas do segmento, ficaram sem garantia de pisos, reajustes e muitos outros direitos em consequência da atitude intransigente do Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas no Estado de São Paulo (SindJori) de não querer negociar a CCT e sequer estender a convenção anterior, escudando-se no fim da ultratividade imposta pela famigerada Reforma Trabalhista.
Nessa lacuna de vigência da CCT, o Sindicato buscou assinar acordos coletivos com empresas, caso a caso, para restabelecer garantias de direitos e antecipações de reajustes enquanto uma nova convenção não era assinada.
Assim ocorreu com várias empresas espalhadas pelo estado. Jornalistas de Araraquara, Bauru, Marília, Ribeirão Preto, São Carlos, São José do Rio Preto e Sorocaba foram contemplados. No entanto, apesar de sua invejável condição econômico-financeira, A Tribuna foi irredutível diante das solicitações do SJSP. Concedeu por “liberalidade” um reajuste pífio, inferior ao que ao categoria conquistou em outros jornais por meio de assembleias e negociações.
Assim que foi comunicado pela categoria sobre a suspensão, o SJSP questionou o Grupo Tribuna e denunciou o ocorrido ao Ministério Público do Trabalho (MPT) de Santos. A Procuradoria do MPT autuou o empregador para que restabelecesse o pagamento de vales-refeição e alimentação aos jornalistas que passaram ao regime de home office, fornecesse máscaras de proteção e adotasse várias outras providências que garantissem condições de trabalho mais seguras na pandemia. A atuação do Sindicato, provocando o MPT a agir, foi vitoriosa, porque o grupo da família Santini foi obrigado a restabelecer os vales.
Durante a pandemia, o Grupo Tribuna usou e abusou da MP 936/2020 — que o governo Bolsonaro impôs, como vimos acima, com a finalidade de reduzir salários e jornadas de trabalho durante a pandemia — e pressionou os e as jornalistas da casa para que aceitassem assinar acordos individuais que implicariam redução salarial. Mantendo sua conduta antissindical e arcaica, os executivos da família Santini não quiseram negociar com o Sindicato.
Em abril de 2020, um jornalista que trabalhava havia anos na empresa e que estava para assinar o acordo individual foi demitido de surpresa sem justificativa, precisamente quando cobria férias de outro colega. O SJSP contestou a demissão e as reduções de salários, indagou sobre possível plano de novas demissões e deixou claro que não reconheceria acordos individuais, reivindicando do Grupo Tribuna que aceitasse conversar e negociar com a entidade — a exemplo de outras empresas, que aceitaram ajustes por meio da assinatura de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), discutido e aprovado pela categoria em assembleias.
O SJSP orientou as e os jornalistas que trabalhavam nesse grupo empresarial a não assinarem qualquer proposta de acordo individual e a entrarem imediatamente em contato com a entidade, caso viessem a sofrer pressão. O empregador, por sua vez, demorou para responder ao Sindicato sobre a discussão de ACT e assediou jornalistas para que assinassem o termo até a data em que foi demitido o jornalista citado no parágrafo anterior.
Dias depois, alegou que a medida fora discutida previamente com os funcionários, “que entenderam a necessidade da aplicação da mesma”. Quando, na verdade, os jornalistas foram pressionados a assinar, pois a empresa recusou a realização de uma negociação coletiva por meio do SJSP, única capaz de garantir um certo equilíbrio entre as duas partes: patrão de um lado e jornalistas de outro lado. No mês seguinte, continuaram as demissões de jornalistas, em meio à pandemia e à redução de salários com base na MP 936/2020.
DURANTE A PANDEMIA, OS EXECUTIVOS DO GRUPO TRIBUNA SE RECUSARAM A NEGOCIAR AS CONDIÇÕES DE TRABALHO COM O SINDICATO
Saída do teletrabalho e aliança com a Prefeitura de Santos
Em julho de 2020, a Baixada Santista registrava 24.549 casos confirmados de Covid-19, com 1.017 óbitos. Em Santos, onde se localizam as redações do Grupo Tribuna, já havia 9.275 pessoas infectadas e 379 mortes contabilizadas.
Foi nesse cenário assustador que o empregador obrigou os(as) jornalistas do impresso, que estavam em teletrabalho, a voltarem à redação. Porém, tais profissionais não queriam retornar porque sabiam dos riscos. O SJSP convocou assembleias online e enviou carta à direção da empresa apontando várias questões e reivindicações, buscando mais uma vez a negociação.
Por meses o Sindicato insistiu na proposta de formação do comitê de prevenção do coronavírus nas empresas do Grupo Tribuna, sempre rejeitada pelo empregador, mas a cada dia mais necessária. Exames realizados em julho revelavam casos de Covid-19 entre profissionais. Todos os(as) jornalistas do impresso e da TV que atuavam no edifício “Tribuna Square” corriam sério risco de contágio.
Mais uma vez o SJSP questionou as insuficientes medidas adotadas pelos executivos da família Santini e não recebeu resposta. Pior ainda: não houve adoção de providências urgentes, como o afastamento de profissionais que tiveram contato com jornalistas infectados naqueles dias, e o RH ainda exigiu que todos(as) entregassem assinado, e presencialmente, um termo de renovação do contrato individual de redução de salário.
Enquanto isso, os e as jornalistas trabalhavam com medo por eles(as) próprios(as) e por seus familiares, frequentemente pessoas idosas ou integrantes do grupo de risco. Assim, o Sindicato reivindicou que o Grupo Tribuna orientasse tais colegas a não comparecerem ao prédio para assinatura em razão de alto risco de contágio e buscarem forma segura para isso. Como as anteriores, essa reivindicação não foi atendida.
Em Santos, nessa época, o percentual de mortalidade por Covid-19 em relação aos infectados era três vezes superior ao índice nacional. Curiosamente, o edifício “Tribuna Square”, situado à Rua Amador Bueno 333 e sede do grupo da família Santini, também abriga a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) — local de circulação de profissionais da Vigilância Sanitária e onde jornalistas fizeram testes para coronavírus.
(Aqui, um parênteses para situar com quem estamos lidando. O nome “Tribuna Square” é pura imitação, “inspirado” na famosa praça norte-americana Times Square, de Nova Iorque, que ganhou tal denominação depois que o jornal The New York Times, também conhecido como The Times, mudou-se para aquele local.)
Toda essa situação só reforçava a necessidade de monitoramento transparente e contínuo das condições de trabalho por meio da formação de um comitê de prevenção do coronavírus. Sendo os(as) jornalistas considerados categoria essencial, o SJSP reivindicou à SMS de Santos prioridade para vacinação contra o vírus influenza, mas não foi atendido. Também pediu que fiscais do Departamento de Vigilância em Saúde (Devig) de Santos averiguassem as condições de trabalho no Grupo Tribuna.
Em 5 de janeiro de 2022, o Sindicato denunciou que, quando jornalistas de A Tribuna já mergulhavam na correria dos plantões de fim de ano, foram chamados(as), individualmente, à sala do diretor de conteúdo do Jornalismo. A conversa era a respeito do “possível” fim da escala de trabalho 2 x 1, para perguntar o que cada um achava disso e se “gostaria” de continuar no jornal caso essa mudança viesse a ser implementada. Dizia esse mesmo diretor que as conversas tinham caráter “informal” e sem que nenhuma decisão tivesse sido tomada pelo RH.
Como se não bastasse, os profissionais receberam a notícia do fim da publicação AT Revista já a partir de janeiro e o surgimento, no seu lugar, de um suplemento. A nova publicação seria recheada de textos escritos por colaboradores externos. Logo que a diretoria do SJSP tomou conhecimento desses fatos, indagou ao RH do Grupo Tribuna se o fim da AT Revista acarretaria demissões de jornalistas, e pediu explicações sobre mudanças na escala de trabalho diante da iniciativa tomada pelo diretor de conteúdo.
Além disso, buscando garantir os direitos da categoria, reivindicou que a empresa discutisse com o Sindicato qualquer mudança nas escalas de final de semana que afetasse profissionais do Grupo Tribuna.
O RH respondeu que “a jornada de trabalho noticiada […] tem caráter preventivo, no intuito de adequação das escalas de trabalho ao entendimento atual da jurisprudência”; que “os trabalhos realizados aos domingos serão compensados com folga na semana seguinte, de acordo com a legislação”; e que “o sistema de escalas é realizado pelo gestor de acordo com a necessidade e fluxo de trabalho das equipes”.
O golpe da diminuição de folgas e aumento de jornada, que agravou as condições de trabalho, era ainda mais sórdido por ter sido desferido contra a categoria no final de ano, época desfavorável para se mobilizar a categoria contra esse tipo de ataque. Calculadamente, foi esse o período usado pelo Grupo Tribuna para lançar mais essa investida contra os jornalistas.
O SJSP recomendou à categoria que participasse das assembleias convocadas, pois só assim ela poderia resistir a mais esse retrocesso. Ademais, buscou medidas jurídicas para barrar o ataque patronal, requerendo ao procurador do Ministério Público do Trabalho de Santos agendamento com urgência de uma audiência de mediação entre as partes.
ALGUNS JORNALISTAS DEPUSERAM AO MPT AOS PRANTOS, EM GRANDE ANGÚSTIA. COLEGAS DESENVOLVERAM PROBLEMAS DE SAÚDE MENTAL E FÍSICA
Em agosto de 2024, repentinamente, o RH do grupo empresarial comunicou às(aos) jornalistas que o plano de saúde Unimed passaria para o sistema de “coparticipação” e que, portanto, teriam de passar a pagar uma parte do valor de consultas e exames. O SJSP reuniu em assembleias jornalistas de todos os segmentos, da ativa e aposentados, e solicitou ao Grupo Tribuna uma reunião para tratar do assunto. Porém, mais uma vez os executivos da família Santini recusaram-se a negociar com o sindicato e ainda procuraram desestimular eventuais ações judiciais coletivas, orientando as pessoas a procurarem individualmente o RH.
MPT investigou denúncias contra o grupo e as avaliou improcedentes
Em abril de 2022, o SJSP entrou como colaborador do MPT de Santos num inquérito instaurado contra o Grupo Tribuna, frente a denúncias de práticas de assédio moral e irregularidades na jornada de trabalho de jornalistas, e forneceu ampla sustentação às investigações, por meio de vários depoimentos coletados sob sigilo por dirigentes do Sindicato.
Apurou-se a ocorrência de falas machistas, misóginas e depreciativas, proferidas por ocupantes de cargos de direção e chefia de A Tribuna — inclusive em grupos de WhatsApp — com a finalidade de cobrar resultados de profissionais jornalistas.
Ainda maior era a pressão exercida sobre estagiários(as). De acordo com os depoimentos, se faltasse algo numa matéria sofriam advertência, sem, no entanto, receber esclarecimentos sobre o que faltava, o que seria fundamental uma vez que se supõe que o estágio seja uma fase de aprendizado. Como agravante, estagiários(as) eram obrigados a trabalhar aos sábados e domingos, e isso durante oito horas seguidas.
Um ano antes das denúncias ao MPT, uma jornalista, então estagiária na revista digital do Grupo Tribuna, já relatava, em atividade do SJSP, ter sido constantemente submetida a pressão. Sem contrato, sem remuneração por dois anos, ela exercia várias funções profissionais, fazendo matérias durante a semana e abastecendo o site. Mas, além de volta e meia ser citada pela chefia como “só estagiária”, era coordenada por outra estagiária. Trabalhava em finais de semana e sofreu várias crises de ansiedade pela pressa que lhe era exigida: “Não conseguia processar a apuração, ficava muito insegura”.
Além do assédio, os relatos sigilosos levados ao Sindicato denunciavam inúmeros abusos nas condições de trabalho de jornalistas do Grupo Tribuna: escala de 12 dias seguidos de trabalho; não realização da entrega de controle de ponto por bastante tempo; chamadas, fora de expediente, das 7h até as 23h, mesmo após publicação do trabalho, e contatos a qualquer hora ao surgirem dúvidas sobre as matérias; indução à realização de horas extras sem bater ponto; cobrança de matérias especiais todas as semanas, gerando acúmulo de pendências.
Alguns jornalistas depuseram aos prantos, em grande angústia, revelando o efeito nefasto de um ambiente de trabalho superexplorador e desrespeitoso. Colegas desenvolveram problemas de saúde mental e física. Uma das pessoas desenvolveu quadro de ansiedade e síndrome do pânico. Outra ingressou no emprego com 75 kg e saiu com 95 kg, também por ansiedade. Uma terceira pessoa precisou voltar à terapia e desenvolveu gastrite.
Buscar carreira jornalística no Grupo Tribuna é objetivo de muitos iniciantes da profissão na Baixada Santista. Mas o chicote patronal bate tão forte, na busca por cliques, que muitos jovens não aguentam e pedem demissão.
Todas as denúncias contra o grupo da família Santini levadas ao MPT foram relacionadas em petição apresentada pelo departamento jurídico do SJSP, reafirmando o caráter sigiloso, uma vez que os denunciantes temiam represálias.
A representação do departamento jurídico do SJSP citava indícios de que o ambiente interno de trabalho do Grupo Tribuna encontrava-se corrompido por práticas abusivas, “vez que na última assembleia virtual de jornalistas de Rádio e TV, em que se discutia a proposta das empresas para fechamento da Convenção Coletiva, dos cerca de 200 jornalistas de todo o Estado que participaram das duas sessões assembleares, somente os 17 jornalistas da TV Tribuna votaram a favor da proposta patronal que reajustaria os salários com apenas metade da inflação do período!”.
Em outubro ou início de novembro de 2022, o MPT avaliou como improcedentes as denúncias contra o Grupo Tribuna, apesar da farta documentação comprobatória. Dias depois, em 7 de novembro de 2022, em meio à campanha salarial de jornais e revistas do interior e litoral, que enfrentava enormes dificuldades de negociação, o repórter Sandro Thadeu, diretor regional do Sindicato dos Jornalistas, foi demitido pelo jornal A Tribuna.
A dispensa de Sandro teve clara motivação política e antissindical. Em depoimento concedido durante audiência de instrução no Fórum do Trabalho de Santos no dia 6 de agosto, uma jornalista que trabalhava com Sandro declarou que várias matérias do colega para o jornal impresso eram publicadas na versão online do veículo, o que indica que seu trabalho era adequado e útil à Tribuna.
Essa mesma jornalista havia comunicado à empresa, em 25 de agosto de 2022, seu interesse em ser desligada caso houvesse algum corte de pessoal. Os executivos, contudo, preferiram demitir Sandro ao invés de atender ao pedido de sua colega interessada em deixar a empresa. Ela não teve retorno quanto à sua manifestação e, em janeiro de 2023, optou por pedir demissão.
Em 2025, seguindo sua cruzada de desrespeito e superexploração de profissionais jornalistas, o Grupo Tribuna chegou ao cúmulo de demitir, no dia 9 de janeiro, um editor da TV Tribuna acometido pela síndrome de burnout: o jornalista Ernandes Caires, que trabalhava no grupo há 35 anos e era diretor de base do SJSP. O quadro de estresse determinou o afastamento do trabalho por 14 dias, motivado pela excessiva carga de trabalho imposta pela escala de trabalho da TV Tribuna.
Enquanto propaga suposta sintonia com o movimento ESG (sigla em inglês para “Ambiental, Social e Governança”), o Grupo Tribuna renega esses princípios, com uma política de governança perversa, que explora a força de trabalho impondo condições desumanas e renega o “social” ao atacar a qualidade de vida, saúde e bem estar de empregadas, empregados e estagiárias(os). (Leia mais sobre as demissões de Sandro Thadeu e Ernandes Caires nas páginas 2-5.)
CANAL DE DENÚNCIA DE CASOS DE ASSÉDIO
O Grupo Tribuna segue impune. Mas não há mal que dure para sempre. Na questão do assédio, vale revelar que não foram em vão os relatos que chegaram até nós. Eles foram inspiração para que, recentemente, fosse criado o Canal de Denúncias, seguro e sigiloso, como parte de uma série de iniciativas programadas pelo SJSP para combater o assédio no ambiente de trabalho.